
Ao se observar o ensino superior como um dos locais de formação de alto nível, seja profissional, seja cultural ou meramente acadêmico, o desenvolvimento de competências não tem sido identificado nas pessoas, pelo menos não de forma plena ou minimamente adequada. Vemos alunos cometerem erros elementares, profissionais que desconhecem aplicações técnicas diversificadas e professores que são verdadeiros "amadores" quando ao assunto é relação teoria-prática. O conceito que estamos defendendo, da Competência Informacional, deveria ser, inclusive, uma de suas atribuições, posto que se expecta o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural nessas instituições, uma sinérgica aproximação universidade-empresa, na qual conhecimentos são compartilhados no sentido da otimização econômica, social e científica e a concepção de que egressos da educação superior são profissionais de alcunha intelectual gabaritada para terem competitividade e produtividade junto aos setores de trabalho para os quais são formados, inclusive em relação às instâncias mais complexas que a sua atividade envolve. Mas isso, de fato, não vem ocorrendo.
Os indicadores como os do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), em 2006, cujo desempenho médio geral dos participantes foi de 45,4 na prova de formação geral, que é igual para todas as áreas, e a maior média, na mesma prova, foi de 50,7, numa escala de 0 a 100, faz perceber-se um aproveitamento da formação universitária que não leva a crer que esteja havendo o desenvolvimento da pleno do sujeito, seja em Competência Informacional, seja em competências básicas. Da mesma forma, Paul Singer (1999), economista e professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, coloca que uma das principais causas do desemprego, no Brasil, é a falta de qualificação dos trabalhadores em face das exigências das tecnologias mais avançadas, de onde se pode deduzir que mesmo o profissional egresso das universidades tem limitações em relação ao estabelecimento de competências mais fundamentais, como a Informacional. Condicionados ao aprendizado das ferramentas proprietárias (recursos, metodologias, softwares etc.) sem criarem a habilidade da busca autônoma nesse aprendizado, acabam por sucumbirem em conhecimentos obsoletos ou atividades limitadas ao manejo de uma só aplicação, destituindo a capacidade de terem outras competências.
Dessa maneira, esboça-se aí um panorama que nos faz pensar outras esferas das relações humanas.